Istambul em Barcelos


Durante um mês, a cidade de Barcelos é atravessada por um conjunto de realizações que enquadram o projecto itinerante “A poesia fílmica e as artes plásticas”. Exposições, tertúlias, sessões de cinema-concerto, representações teatrais, apresentações de livros são algumas das manifestações deste projecto. Nesta primeira passagem, a Turquia é o país convidado.


É neste contexto que Istambul estará em Barcelos com a exposição Huzun - Roteiro da Melancolia em Istambul. Acontece na Biblioteca Municipal com a inauguração no dia 20 pelas

18:00. Poderá ser visitada até ao dia 12 de agosto.Retomamos a linha que tem animado as nossas exposições sobre Istambul e que transcrevemos no texto da exposição:


HUZUN

Roteiro da Melancolia em Istambul


Já confessámos: a nossa experiência em Istambul foi muito marcada pelo livro de Pamuk Istambul – Memórias de uma Cidade. Os relatos sobre as suas vivências na infância e na adolescência desenharam um mapa sentimental da cidade que procurámos explorar. Foi o hüzun, que o Google Tradutor traduz por tristeza, que mais nos sensibilizou levando-nos à descoberta das suas manifestações. E a questão começa logo na forma como o termo é traduzido e que Pamuk esclarece: “… hüzun (muito próximo de melancolia) é um sentimento interiorizado com orgulho e ao mesmo tempo partilhado por toda uma comunidade”. Não é, portanto, um sentimento individual, não é a melancolia experimentada por uma pessoa, é do hüzun, da melancolia da cidade que se trata.

Em Istambul, procurámos os locais, as personagens, as situações identificadas por Pamuk em que o sentimento de melancolia se manifesta: os homens que pescam na ponte Galata, os barbeiros e os alfarrabistas que se queixam da crise, as crianças que jogam à bola na rua, as mulheres de lenço islâmico que esperam em silêncio o autocarro, as multidões apressadas para apanhar os vapur, os cemitérios no centro da cidade…E nesta busca, encontrámos outras formas que aos nossos olhos manifestam hüzun.

Em Dezembro, na paisagem, dominam o preto, o branco e os cinzentos, que parecem contaminar as pessoas que usam roupas acinzentadas, indistintas. Os mármores gastos das fontes e das mesquitas reforçam o tom que domina a cidade. Este ambiente tinha para nós um sentido poético e desse ambiente só poderíamos fazer fotografias a preto e branco. Aí estão, agora integradas no projecto “A Poesia Fílmica e as Artes Plásticas”.


Manuela Matos Monteiro, João Lafuente